30 anos de conquistas!

 

Luta de tantos que já passaram e de tantos que ainda lutam!

O SINDÁGUA completou 30 anos de sua carta sindical, expedida pelo Ministério do Trabalho no dia 29 de janeiro de 1980. Em se tratando de um sindicato, estamos ainda na infância, na companhia de outras entidades centenárias. Mas em nossa história, se como categoria organizada não enfrentamos momentos tristes da história política do Brasil, já nascemos com a veia da participação efetiva em movimentações gigantescas, como a campanha pelas Diretas-já!, na extraordinária mobilização nacional em favor da “emenda Dante de Oliveira”, ou na unidade do País pela eleição de Tancredo Neves à presidência da República, exorcizando a ameaçadora canditadura do outrora todo poderoso Paulo Maluf.

Nascemos em um momento histórico onde o então general Golbery do Couto e Silva pregava sua “diástole”, que permitia o retorno dos anistiados e de perseguidos como o líder sindical Luis Inácio Lula da Silva, hoje consagrado pela maior aceitação de um presidente da República. Antes desta grande conquista, participamos ativamente das campanhas de Lula pela presidência, enfrentando Collor e duas vezes o ex-sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

Ultrapassamos a tragédia econômica dos anos de Sarney e Collor na presidência, numa luta hercúlea para garantir o valor real dos salários contra índices mensais de inflação que chegavam até a gigantescos 80%. E foi exatamente logo no início do governo Collor de Mello que mostramos nossa força e organização. Demos uma “banana” para o plano Collor, da ministra Zélia Cardoso, que surrupiou a inflação de março, de terríveis 84,32%, decretando “inflação zero” para aquele mês, conseguindo ainda orientação os magistrados governistas para impedir que a Justiça decidisse acordo contra a “estabilização”. Fizemos uma greve de 22 dias ininterruptos e garantimos o repasse integral da inflação aos nossos salários. Muitas categorias perderam esse reajuste e outras só o conseguiram muitos anos depois. Nossas vitórias foram diversas: URP, URV, adicionais de periculosidade e de insalubridade, plano de cargos e salários, anuênio, gratificação de férias (que caminhou até 90% da remuneração), auxílio-creche, gratificação por dupla função transformada em gratificação para dirigir veículo, plano de saúde próprio, plano previdenciário e tantas outras conquistas usufruídas pela categoria.

Antes da estabilização da economia, com o “Plano Real” nascido no governo Itamar Franco, o SINDÁGUA participava de uma unidade com o Sindieletro, Sinttel e Sindipetro, através da “Intersindical” de entidades ligadas às empresas estatais e de economia mista. Foi exatamente da capacidade de luta e de mobilização destas entidades que desenvolvíamos em Minas os gigantescos movimentos políticos pela democratização do País, pela defesa das empresas públicas e das responsabilidades do Estado. A praça pública, as passeatas, o volume extraordinário de trabalhadores subindo as escadarias da antiga sede da Copasa, na Praça da Liberdade, fizeram história e deram à nossa categoria a respeitabilidade que merecia.

Desde o início fomos uma categoria privilegiada pela explosiva participação dos trabalhadores em todos os movimentos, num zelo pelos direitos e por suas responsabilidades que alcançavam não apenas pleno êxito em nossas lutas, mas que passamos a ser reconhecidos pela maturidade das nossas ações. Esta condição de respeito torna-se ainda mais ampla com as lutas dos trabalhadores lincadas às lutas sociais, nos remetendo sempre à defesa dos nossos direitos mas também pela integridade da própria empresa como patrimônio do povo e instrumento de políticas públicas prescritas pela Constituição Federal e de Minas. Essa dedicação dos trabalhadores organizados e que honram a força do SINDÁGUA, a sua respeitabilidade, que nos colocam na vanguarda da representação dos mais legítimos interesses sociais em nosso Estado.

 

Setembro 2010
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