O NOVO retrocesso – um imenso passado pela frente

O NOVO retrocesso – um imenso passado pela frente

12 de maio de 2023 0 Por Comunicação Sindágua-MG

Recentemente, o governador Romeu Zema esteve e está em Nova York literalmente com ideias de “fazer negócio” com o patrimônio público mineiro.

Em reflexões mais profundas, adentramos talvez a termos uma perspectiva mais profunda do que o anacronismo de Zema nos significa: começamos por recorrer a antropologia linguística e a hipótese Sapir-Whorf – firmam que a língua influencia a forma como pensamos e percebemos o mundo. Segundo eles, cada língua possui uma visão de mundo única e diferente, que reflete as experiências e a cultura daqueles que a falam. A linguagem é, portanto, uma ferramenta fundamental para a compreensão do tempo e da cultura. Há relatos por exemplo de que o povo Hopi ou mesmo os Pirahã que têm uma perspectiva de tempo não-linear, há também entre os etnólogos e sociolinguistas e também os cognitivistas, de que pode ser por exemplo representações metafóricas como atrás ou trás para o passado e frente ou para a frente, para o futuro – longe de comparar Zema culturalmente com tais povos (e inclusive com respeito a esses povos) – Zema, portanto é uma espécie de curupira cognitivo: enxerga em temos linguístico político antropológicos o imensos retrocessos como o futuro ou seja, para o que já passou não é produto para a experiência sendo assim esse não é um daqueles casos de inteligência política que aprende com os próprios erros, principalmente os erros sobre privatização, perda de soberania, políticas públicas ou mesmo “desenvolvimentismo”. Zema está com as ideias fora do lugar, metaforicamente em alusão ao famoso texto do crítico literário Roberto Schwarz.

A alusão supracitada, e o livro, refere-se ao atraso intelectual de nossas elites – “As ideias fora do lugar: Ensaios selecionados” de Roberto Schwarz apresenta uma análise crítica das ideias liberais que foram importadas para o Brasil no século XIX. O autor argumenta que essas ideias foram aplicadas fora de seu contexto original, levando a uma série de problemas e contradições na sociedade brasileira. Ao associar as teses de Schwarz com as ideias de Zema, podemos identificar uma possível contradição entre as políticas liberais do governador e a realidade social e econômica de Minas Gerais. Zema é um defensor do liberalismo econômico e tem defendido a privatização de empresas estatais como a COPASA e a CEMIG. No entanto, a aplicação dessas políticas pode levar a problemas semelhantes aos identificados por Schwarz. A privatização dessas empresas pode resultar em uma perda do controle sobre os serviços públicos essenciais e em um aumento das tarifas, o que pode afetar negativamente as comunidades locais. Além disso, a aplicação acrítica de políticas liberais pode resultar em uma maior desigualdade social e econômica, como Schwarz identificou no século XIX. É importante lembrar que o Brasil possui uma história de desigualdade social e econômica, e a aplicação de políticas liberais sem um contexto histórico e social adequado pode agravar essas desigualdades.

As teses de colonialismo e antropologia que podem advir a evocar Claude Lévi-Strauss destacam a importância da cultura e da diversidade cultural como elementos centrais na compreensão das relações entre as sociedades e a forma como as mesmas se organizam. Lévi-Strauss defendia que a antropologia poderia ser usada para entender as estruturas sociais e as relações de poder nas sociedades humanas. Ao mesmo tempo, o colonialismo é um fenômeno histórico marcado pela imposição de uma cultura, uma língua e uma forma de vida por uma potência estrangeira sobre um determinado território e sua população. A colonização muitas vezes resultou em desrespeito aos direitos humanos, exploração e opressão das populações colonizadas. Ao associar as teses de Lévi-Strauss com o fato de que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ter ido a Nova York negociar a privatização da COPASA e CEMIG, podemos identificar uma possível relação entre a venda dessas empresas e uma possível perda da cultura e identidade do Estado de Minas Gerais. A privatização dessas empresas pode resultar em uma perda do controle sobre os serviços públicos essenciais, tais como água e energia elétrica, o que pode afetar negativamente as comunidades locais. Além disso, a venda dessas empresas pode resultar em uma maior exploração econômica e social das populações locais, como o aumento das tarifas e a diminuição da qualidade dos serviços. Isso pode resultar em uma maior desigualdade social e econômica no Estado. Assim, a associação das teses de Lévi-Strauss com a venda da COPASA e CEMIG nos leva a refletir sobre as possíveis consequências dessa privatização para a cultura e a sociedade de Minas Gerais. É importante lembrar que a antropologia nos ensina que a diversidade cultural é um patrimônio comum da humanidade e que deve ser valorizada e protegida.

Não bastasse estar conjunto em evento ao LIDE, afinal, o que Zema não explica ou fala é que relação de políticos com grupos de lobistas, como o LIDE, é um tema controverso e que levanta diversas críticas. Os lobistas são profissionais que atuam em nome de interesses privados, geralmente empresariais, e têm como objetivo influenciar a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões por parte dos governos. A principal crítica em relação à relação de políticos com lobistas é que essa relação pode abrir espaço para a corrupção e o favorecimento de interesses privados em detrimento do interesse público. Os lobistas, muitas vezes, têm acesso privilegiado a informações e a membros do governo, o que pode favorecer a adoção de políticas que atendam aos seus interesses em detrimento dos interesses da população em geral. Além disso, a relação entre políticos e lobistas pode contribuir para a perpetuação de desigualdades e injustiças sociais, já que os interesses defendidos pelos lobistas muitas vezes beneficiam apenas uma minoria privilegiada em detrimento da maioria da população. Nesse sentido, a relação de políticos com grupos de lobistas, como o LIDE, deve ser vista com cautela e criticada quando houver indícios de favorecimento de interesses privados em detrimento do interesse público. É fundamental que os políticos atuem de forma transparente e ética, garantindo que suas ações estejam sempre alinhadas com o bem-estar da população e com a promoção da justiça social.
Negócios? Inovação? Justiça social? Não, o governador não está fazendo absolutamente nada de “Novo” a não ser retrocessos incomensuráveis, abaixo exponho:

A Global Infrastructure Partners (GIP) tem um histórico controverso em relação a seus investimentos em infraestrutura e parece ser só mais um (de tantos) desses fundos que financiam mesmo é a precarização de serviços, anti-competitividade e formação de uma palavra que não está no dicionário de Zema: oligopólios.
Algumas acusações se somam a outras críticas já feitas à GIP em relação a seus investimentos em combustíveis fósseis, que vão na contramão dos compromissos globais com a transição para uma economia de baixo carbono. Além disso, a GIP já foi alvo de questionamentos em relação a práticas anticompetitivas em setores como energia elétrica e aeroportos, e a tal ladainha do “Governador” que quer o setor privado pela competitividade, cair por aí.
A Global Infrastructure Partners (GIP) já esteve envolvida em algumas polêmicas ao longo dos anos em polêmicas fora do Brasil: Em 2011, a GIP adquiriu a London Gatwick Airport em uma transação que foi criticada por alguns políticos e grupos de interesse. Eles alegaram que a venda não beneficiaria o interesse público e que a GIP não tinha experiência em administrar aeroportos. Em 2016, a GIP foi criticada por investir em companhias de combustíveis fósseis, apesar de seu compromisso declarado de investir em energia renovável. A GIP respondeu afirmando que estava trabalhando para reduzir a pegada de carbono de suas participações em energia fóssil, e que também estava investindo em energia renovável. Em 2020, a GIP foi novamente criticada por investir em um gasoduto na África do Sul que foi criticado por grupos ambientalistas e de direitos humanos por deslocar comunidades e danificar o meio ambiente. A GIP respondeu dizendo que estava trabalhando para minimizar os impactos do gasoduto e cumprir todos os requisitos regulatórios.É importante notar que a GIP não foi acusada de nenhuma atividade ilegal em relação a essas polêmicas. No entanto, esses casos destacam o papel cada vez mais importante que as empresas de infraestrutura estão desempenhando na economia global e como seus investimentos podem afetar as comunidades locais e o meio ambiente.

No contexto da privatização da CEMIG e da COPASA em Minas Gerais, a parceria com a GIP pode ser vista como um risco para a população local, já que a empresa tem um histórico de investimentos controversos em infraestrutura e pode priorizar seus interesses financeiros em detrimento do bem-estar da população – como vemos na alta retirada de dividendos, nas políticas de JCP e na falta de um discurso no mínimo mais social – transformando essas empresas mais em bancos do que em emanadoras de serviços públicos. Ora, se a COPASA e a CEMIG estão “mal” como o governador alega, quem faz indicações e quem é o administrador público de tais empresas, é o próprio governador – inclusive é fundamental dizer que recentetemente Zema têm colocado na COPASA nas assessorias, deputados do mesmo espectro ideológicos derrotados nas eleições e voltando as ideias fora do tempo e do lugar, referendamos também as ideias fora de território, afinal, é uma tendência no mundo de que serviços públicos essenciais sejam regidos pelo estado, como centenas de cidades pelo mundo reestatizam serviços como o de abastecimento de água e tratamento de esgoto – países estes para falar de pluralidade política, econômica e também de geopolítica, são de continentes variados e dos mais espectros de contrastes entre si pois inclusive chegam a ser dezenas de países.

Zema não discute ao vivo com uma críticas as ideias, nem acadêmicos, cientistas ou movimentos sociais, afinal, a evidência dos despreparo com relação do mesmo a tal temas pode ser além de gritante, uma evidência crítica do absoluto anacronismo de qualquer tipo de pensamento mal fundamentado e nada, absolutamente nada inovador. Mas e esse comportamento autoritário?

Vamos então entender essa relação à relação entre autoritarismo e a doutrina do Choque, apresentada por Naomi Klein em seu livro “A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo de Desastre”, a privatização de serviços públicos em períodos de crise ou instabilidade política pode ser vista como uma forma de reforçar o poder autoritário, permitindo que governos usem a crise como justificativa para implementar políticas neoliberais e enfraquecer o Estado em benefício do capital privado, o exemplo mais emblemático disso é o caso do Chile, onde a privatização da água, energia e outros serviços públicos no período ditatorial de Augusto Pinochet levou a um aumento significativo dos preços e a uma exclusão social ainda mais acentuada.
No caso específico de Minas Gerais, o governador Romeu Zema tem sido criticado por sua política econômica, que muitas vezes privilegia o setor privado em detrimento dos interesses da população e do Estado. Essa abordagem se alinha com as teses de Mariana Mazzucato, economista que defende a importância do Estado na inovação e na criação de valor econômico.Mazzucato argumenta que muitas inovações tecnológicas e avanços científicos foram possíveis graças a investimentos do Estado em pesquisa e desenvolvimento, e que o papel do Estado na economia não deve ser apenas regulatório – e se fosse, colocar alguém do próprio partido (NOVO) para a ARSAE é no mínimo prática estranha a “nova política” – , mas também de fomento e investimento. Essa abordagem se contrapõe à ideologia neoliberal, que defende a redução do Estado e a privatização de serviços públicos. Alguns economistas laureados com o Prêmio Nobel, como Joseph Stiglitz e Paul Krugman, também defendem a intervenção do Estado na economia como forma de promover a igualdade e o bem-estar social. Eles argumentam que o mercado, por si só, não é capaz de garantir a justiça social e que o papel do Estado é fundamental na promoção do desenvolvimento econômico e na regulação dos mercados para garantir que as atividades econômicas sejam conduzidas de forma justa e sustentável.

Economia verde, sustentabilidade, e esses temas mais novos de fato, não são e não foram o forte do Zema, afinal, e a Serra do Curral, quem não lembra? E por aí vai – fala-se muito por estar suposto “governo” que há inovação e avanços, mas esquece do básico: de dizer que absolutamente não há nenhuma evidência da megalomania de dizer que há “Nova Política”, afinal, falta mesmo é a leitura deste mesmo básico proposto:

A política é uma atividade antiga e essencial para a organização da sociedade, que envolve a busca pelo poder, a negociação de interesses e a tomada de decisões coletivas. Desde os tempos de Maquiavel e Aristóteles, a política tem sido objeto de reflexão e debate, e não há como escapar de sua complexidade e dos desafios que ela apresenta. Ao propor uma “Nova Política”, Zema pode estar tentando transmitir a ideia de que é possível mudar a forma como a política é feita, com menos corrupção, mais eficiência e mais participação popular – truísmos e razões universais que independem dos tempos e sim da habilidade (ou em Maquiavel, “virtu”) de fazerem o desenho adequado e da efetividade de políticas públicas tais como demandadas socialmente. No entanto, a realidade mostra que é preciso ter em mente que a política não pode ser transformada de uma hora para outra e que as mudanças que se desejam requerem um esforço contínuo e de longo prazo – algo que em não há o menor indício nas gestões Zema.

Ficando ainda sobre a prática da reflexividade sobre um pensador mineiro – já que parece piada a cruel realidade de um governador de Estado não conhece Adélia Prado – vamos então com João Guimarães Rosa ou mesmo um dos seus mais brilhantes críticos (que não é mineiro), Antônio Candido, sobre “neojaguncismo” e o “jaguncismo” onde são termos usados ​​para se referir às práticas violentas e autoritárias associadas aos antigos proprietários de terras no Brasil, que usavam a força para manter seu poder e acumular riqueza. Essas práticas foram frequentemente associadas à opressão dos povos indígenas e negros, que eram subjugados e explorados pelos proprietários de terras.Ao associar essas teses com a prática de economia liberal de Zema, podemos identificar uma possível contradição entre as políticas liberais do governador e as consequências sociais e econômicas que elas podem acarretar. A política de privatizações e desregulamentação pode resultar em uma maior concentração de poder e riqueza nas mãos de poucos, o que pode levar a uma reprodução das práticas autoritárias e violentas associadas ao jaguncismo e neojaguncismo.
Além disso, as políticas neoliberais muitas vezes ignoram a desigualdade social e econômica que existe no Brasil e aprofundam ainda mais essa desigualdade. Isso pode levar a uma marginalização ainda maior das comunidades indígenas e negras, que historicamente foram subjugadas pelos proprietários de terras e pelos poderosos.Portanto, é necessário uma reflexão crítica sobre as políticas neoliberais de Zema e a forma como elas podem perpetuar as práticas autoritárias e violentas do passado. É importante considerar a diversidade e a complexidade da sociedade brasileira ao implementar políticas econômicas, a fim de garantir um desenvolvimento justo e sustentável para todos.
O neobolsonarismo, portanto, a disputa territorialista do lastro eleitoral pela herança de votos de Bolsonaro, dadas as circunstâncias do acaso e de nosso período histórico vê, por óbvio três representantes: Zema, Tarcísio e Eduardo Leite – com as pautas ditas de “costume” fora do radar e com a economia pragmática de crescimento de Haddad crescendo além das expectativas do radar, mesmo com as atuais políticas explicitamente controversas do Banco Central – deixará então portanto a perspectiva de que para 2026 – será isso: um leilão às avessas de ver “quem entrega mais” os resultados “inovadores” na economia mas que no fundo são falácias, sendo mais ideológico deles a falácia do gerencialismo ao posto que sobre a égide das privatizações “se inove o Estado”.

Ao voltar em parte do acima, recobro então para finalizar uma famosa passagem do Grande Sertão Veredas (de João Guimarães Rosa) e coletivizar que é o mesmo pensamento também de muitos mineiros – sobre tudo isso que aí está – Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.

*Lucas Tonaco – Secretário de Comunicação da Federação Nacional dos Urbanitários