Empresa não tratou de informar a população sobre providências no longo tempo de reparação para o reabastecimento em vasta região de Belo Horizonte.
A população de Belo Horizonte enfrentou momentos de aflição com o desabastecimento, cenário que evidencia a relevância de um serviço público essencial sob responsabilidade direta do Estado.
O rompimento de adutoras em diferentes pontos da cidade não exigiria investigações complexas se já não estivessem claras as denúncias que formulamos reiteradamente sobre uma infraestrutura envelhecida, cuja manutenção foi precarizada pela terceirização excessiva em uma atividade que exige profissionais altamente qualificados. Inúmeros eventos podem gerar rompimento de tubulações, principalmente em uma adutora de grosso calibre destinada a abastecer bairros inteiros, gerando riscos iminentes de tragédias ao despejar volumes colossais de água sobre áreas densamente habitadas.
Diante de atos de “vandalismo” no sistema antiodor da Lagoa da Pampulha, a diretoria da empresa optou por levantar suspeitas de “sabotagem”, incluindo nessa suposição as adutoras e acionando o Ministério Público de Minas Gerais. Tudo isso sem que, durante as ocorrências, tivéssemos informações da Diretoria de Operações da Copasa repassadas à população e aos meios de comunicação sobre as eventuais causas, previsão de regularização e reabastecimento, deixando o caos perdurar por quase um mês para a devida reparação por meio de mapeamento e gerenciamento de riscos. Além disso, foram encaminhadas ao Ministério Público de Minas Gerais as gravíssimas denúncias formuladas pela direção da empresa sobre eventual crime contra o Estado Democrático de Direito — cujas apurações devem envolver também a Polícia Federal.
O SINDÁGUA encaminhou ofício à direção da Copasa cobrando informações sobre quaisquer movimentações e trâmites relacionados à apuração, lembrando o momento que vivemos, próximo a eleições gerais, em que devemos ter responsabilidade no levantamento de quaisquer hipóteses com repercussões políticas, ressaltando que a imputação de fato criminoso deve seguir o máximo rigor probatório.
Reafirmamos que o corpo técnico e operacional da Copasa mantém um histórico de dedicação integral à qualidade dos serviços e à reputação da companhia. Prova disso foi a força-tarefa que, em 1985, restaurou uma adutora de grande porte em apenas três dias — realidade oposta à atual, em que rompimentos recentes deixaram os moradores desabastecidos por quase um mês.
Os trabalhadores mantêm firme o compromisso com a excelência técnica e a função social da empresa. Cabe à sociedade e ao poder público resguardarem a integridade da Copasa contra o sucateamento, o vandalismo e quaisquer atos criminosos.
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